O principal objetivo do artigo é caracterizar o perfil das vítimas de lesão autoprovocada que recorreram ao serviço de urgência e emergência nas capitais brasileiras. A partir dos dados fornecidos pelo Viva Inquérito 2014 (Vigilância de Violência e Acidentes), as pesquisadoras realizaram estatística descritiva das lesões autoprovocadas por sexo e construíram uma análise por regressão logística. As características avaliadas foram: faixa etária, sexo, raça/cor de pele, escolaridade, zona de residência, características do evento, uso de álcool e evolução do atendimento. A pesquisa identificou que dos atendimentos por violências nos serviços de urgência e emergência, 10% correspondem a lesões autoprovocadas, destacando os casos que envolvem mulheres e adultos. As pesquisadoras também chamam atenção para o fato de que o gênero produz diferença na escolha do método para cometer suicídio. Além disso, concluiu-se que os pacientes atendidos necessitam de acompanhamentos posteriores para que se possa evitar e prevenir reincidências.