O objetivo do artigo é descrever as características, a distribuição e as taxas de mortalidade por suicídio entre crianças indígenas no Brasil, de forma comparada às não indígenas. A pesquisa foi realizada por meio de um estudo descritivo, compreendendo o período de 2010 a 2014. Os dados de mortalidade utilizados foram obtidos no Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde. E os dados populacionais foram estimados segundo os censos oficiais de 2000 e 2010 (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Os óbitos selecionados foram de pessoas com idades entre 10 e 14 anos, cuja causa básica foi classificada como “lesões autoprovocadas voluntariamente”. De acordo com o autor, dentre 584 registros de suicídio, 55 [9,4%(7,0-11,8)] eram indígenas. Entre esses últimos, houve um predomínio de suicídio entre meninas, 58,2% (45,1-71,2), enquanto, entre não indígenas, foi entre meninos, 60% (55,7-64,3). O enforcamento foi o meio mais utilizado, tanto entre indígenas [96,4%(91,4-101,3)] como entre não indígenas [62,8% (58,6-67,0)]. Para ambos os grupos, a maior parte dos óbitos ocorreu no domicílio. Além disso, a grande maioria dos suicídios entre indígenas, 94,5% (88,5-100,5), ocorreu nas macrorregiões Norte e Centro-oeste do Brasil. Por fim, a pesquisa salienta que a taxa de mortalidade por suicídio entre crianças no país foi de 0,7/100mil (0,6-0,7). Entre indígenas, a taxa foi de 11,0/100 mil (8,4-14,3), 18,5(10,9-31,6) vezes maior do que a observada entre não indígenas, 0,6/100 mil (0,5-0,6).