O artigo tem por objetivo analisar as representações de adoecimento e cura relacionadas aos diagnósticos de transtorno mental e comportamental em razão do uso de drogas entre militares da Marinha. Além disso, busca investigar a possível relação entre o ambiente de trabalho e o uso de drogas, sobretudo o álcool, dos profissionais. O texto é um recorte de uma pesquisa etnográfica realizada em dois anos, através da observação participante, no Centro de Dependência Química (CEDEQ) da Marinha do Brasil. Contou com a observação de 24 sessões de grupoterapia e com entrevistas individuais com 13 pacientes escolhidos de maneira aleatória. Segundo as pesquisadoras, a ideia de cura difundida pelos pacientes não parece estar relacionada à de doença orgânica ou genética, pois a prescrição parece estar associada a uma terapia onde o diálogo e a troca de experiência aparecem como instrumentos mais eficazes de tratamento. As entrevistas revelaram que para a maioria dos profissionais o ambiente de trabalho tende a desencadear a adicção. Os fatores mais apresentados pelos entrevistadoras para justificar tal afirmativa foram: o stress relativo à dinâmica e condições laborativas, as oportunidades de beber a bordo com o intuito de atenuar o desgaste, o sentimento de opressão ou a fadiga e as movimentações para outras localidades do país que acabam por afastar o militar do núcleo familiar.