O objetivo do artigo é analisar o aumento das ocorrências de suicídio nos EUA como um efeito secundário que emerge no atual contexto de Covid-19. A hipótese é de que embora as intervenções de distanciamento social reduzam a taxa de novas infecções, o risco de maiores incidências de suicídio é alto. Com base em pesquisas já realizadas sobre a ocorrência de suicídio em contextos de crise, os pesquisadores sugerem que mudanças como demissão em massa de funcionários e o fechamento das escolas por tempo indeterminado (forçando os pais a tirarem um período de folga do trabalho) podem acarretar o crescimento das taxas de suicídio a longo prazo. Ademais, o artigo chama atenção para o fato de que o isolamento e a solidão são associados pela literatura ao pensamento suicida, o que torna preocupante a medida de isolamento social adotada para conter a Covid-19. Segundo os pesquisadores, o fechamento de igrejas e serviços comunitários também é um ponto de reflexão importante, visto que a taxa de suicídio tem se mostrado menor quando existe a participação nestes espaços. Para os pesquisadores algumas ações podem ser adotadas como prioridades para mitigar possíveis casos de suicídio. Destacam-se: repensar a ideia de distanciamento social que requer a inibição do contato físico, mas não necessariamente outros tipos de contato (como por telefone ou vídeo) e considerar o manejo de indivíduos com crises de saúde mental no momento dos procedimentos de triagem da Covid-19. Por fim, o artigo apresenta possíveis efeitos positivos da crise, como o fortalecimento de vínculos sociais e a alteração das percepções sobre saúde e mortalidade, tornando a vida mais preciosa.