Através das teorias das masculinidades, o artigo busca analisar os relatos biográficos de homens gays, bissexuais e heterossexuais que já manifestaram o comportamento suicida. Segundo os autores, no Brasil, o número de óbitos por suicídio entre homens é quase quatro vezes maior que o das mulheres. Este número se torna ainda mais preocupante no caso de homens cuja sexualidade é dissidente, seja pelo silenciamento de seus desejos e/ou pelas agressões como punição em recusa a quaisquer traços considerados socialmente femininos. Por meio de entrevistas abertas com entrevistados com idade entre 19 e 28 anos, os autores buscaram descrever os contextos de sofrimento oriundos da imposição social de certas performances de masculinidade. A pesquisa constatou que a virilidade imposta socialmente e a ausência de locais de acolhimento durante a infância e adolescência costumam predispor à manifestação do comportamento suicida. Assim, para os entrevistados, somente após o ingresso no espaço universitário foi possível apaziguar o sofrimento psíquico, pois nesse ambiente há maior proliferação de discursos progressistas. Para todos os entrevistados, a ideação sempre esteve associada ao desconforto cotidiano nos espaços de socialização. Além disso, o comportamento suicida apareceu nas narrativas como uma maneira de interromper certo desamparo e homofobia intrafamiliar. De acordo com os autores, embora o sucesso profissional tenha aparecido como uma forma de compensação de uma sexualidade dissidente, foi entre os homens heterossexuais que esse fator propiciou em maior número o surgimento de ideações autodestrutivas. Por fim, também foi entre os heterossexuais que o término de relacionamento aparece como potencializador do sofrimento psíquico.