Em 2009, Dayse Miranda entrou em um batalhão da polícia militar no Rio de Janeiro, rodeada por dezenas de homens fardados, para falar de suicídio. À época, a taxa de suicidas na corporação já havia sido quatro, até seis vezes maior que a da população fluminense, embora ninguém ousasse tocar no assunto. “Quando detalhei o problema, eles me olharam como se eu pudesse ler a mente deles”, conta.

Pós-doutora em ciências política pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), Dayse bancou “a coronel”, conta, para tocar um projeto inédito, encabeçado por um grupo de maioria feminina, na instituição formada por mais de 90% de homens.

“Na polícia, o preconceito com saúde mental é enorme. Para a mulher, é ainda maior”
Dayse Miranda, pesquisadora da Gepesp