
IPPES no Jornal Estadão. Confira!
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O GEPESP inicia a partir de hoje uma série de entrevistas com pessoas envolvidas em questões ligadas ao suicídio, prevenção e outros temas relacionados.
Na primeira entrevista conversamos com Tatiana Guimarães, mestra em Sociologia pelo IFCS-UFRJ e uma das componentes mais antigas do GEPESP. Tatiana também é co-autora do livro “Porque os policiais se matam” e autora do trabalho “Suicídio e Ocupação: Um Estudo Comparado“. Todos esses trabalhos estão disponíveis em nosso site.
GEPESP: Como você se interessou pelo tema do suicídio policial?
TATIANA G.: Em um primeiro momento, me foi apresentado o tema do suicídio policial, sem especificar uma categoria laboral específica. A primeira etapa do trabalho era traçar o perfil sociodemográfico do suicídio e, dessa forma, entender melhor o fenômeno do suicídio no Brasil. Posteriormente, a professora Dayse Miranda me trouxe a questão de que estudos internacionais apontavam algumas profissões com maior risco de morte por suicídio, dentre estas os policiais. A partir deste momento, foram iniciados nossos trabalhos na tentativa de compreender se este maior risco de suicídio entre policiais também estava presente em nossa sociedade. No princípio de nosso trabalho, fizemos palestras sobre o tema na PMERJ e recebemos muitos posicionamentos de estranhamento e interesse no tema, muitos policiais falaram abertamente sobre suas ideações e/ou tentativas de suicídio, apontando os motivos pelos quais eles chegaram a este fato. Dentre os motivos, os policiais apontavam sua atividade laboral. Após este contato, meu interesse sobre o tema foi aprofundado.
GEPESP: Sabemos que o tema do suicídio policial ainda é bem pouco explorado. Você trabalhou com o tema do suicídio policial em seu trabalho de monografia e dissertação de mestrado. Como a academia recebeu esses trabalhos?
TATIANA G.: Curiosamente, embora o tema seja bastante sonegado em trabalhos acadêmicos, os discentes e docentes com quem tive contato demonstraram grande interesse sobre o tema. Muitas questões são levantadas, sobretudo, a (im)possibilidade de separar/relacionar o fato do suicídio (ideação o tentativa) com a questão laboral. No mais, a apresentação do tema sempre suscitou bastante interesse por parte dos colegas e professores.
GEPESP: Poderia nos contar um episódio marcante na sua trajetória de pesquisas sobre o tema?
TATIANA G.: Um episodio marcante foi reencontrar um policial militar que, mesmo após dois anos passado da primeira entrevista, ainda permanecia com as mesmas ideações suicidas, mas ainda mais profundas e bem elaboradas. Foi marcante me deparar com aquele pai e marido que ainda manifestava a vontade de tirar sua própria vida, com riqueza de detalhes ele descreveu para mim, como poderia morrer sem que sua família conhecesse suas intenções de autoextermínio. Esta situação me trouxe uma dualidade de sentimento, primeiro uma impotência enorme de poder modificar aquela situação e, em segundo lugar, me trouxe motivação em dar continuidade ao nosso trabalho que no futuro pode ser uma ferramenta para a PMERJ auxiliar seus membros.
GEPESP: De que forma você acredita que o trabalho desempenhado pelo GEPESP pode contribuir para a melhora do comportamento suicida entre os policiais?
TATIANA G.: O trabalho do GEPESP tem sido importante por colocar em voga um tema bastante negligenciado. Além disso, o grupo traz a discussão as questões que os próprios policiais apontaram como dinamizadoras do risco e/ou protetivas, ou seja, as propostas de prevenção serão adaptadas a própria realidade policial, fator este fundamental para o sucesso das ações de prevenção do comportamento suicida entre os policiais militares.

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