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Por Caio Brasil,
Jornalista e Pesquisador do IPPES.


 

O IPPES concluiu a segunda etapa do Curso de Capacitação em Acolhimento Psicossocial e Manejo do Sofrimento Psíquico em Situações Críticas para servidores da Polícia Federal. Em parceria com a Diretoria de Gestão de Pessoal da instituição, o curso contou com a presença de 27 profissionais de saúde da PF de todo o país na sede do Instituto, na Tijuca, Zona Norte do Rio de Janeiro.

Entre os dias 2 e 6 de agosto, aulas presenciais apresentaram uma abordagem teórica, análise de casos e estratégias, além de oficinas. Conduzido pelas especialistas em gestão de crise suicida e coordenadoras de Saúde Mental do IPPES, as psicólogas Fátima Cristina e Dra. Alexandre Vicente, o curso inaugura o serviço de consultoria para instituições de segurança pública. Entre junho e julho, os participantes tiveram 24 horas de aula online. A capacitação totalizou 56 horas-aula. Os participantes do curso (nas modalidades online e presencial) se comprometeram em produzir ações de prevenção, posvenção e de manejo clínico do sofrimento psíquico em situações críticas. Esse trabalho será monitorado e avaliado pela equipe multidisciplinar do IPPES pelos próximos 3 meses.

Em entrevista à assessoria de comunicação do IPPES, o Delegado e Coordenador Geral de Recursos Humanos da PF, Dr. Rafael Pinto Marques de Souza, explicou que, de um modo geral, há em curso uma mudança de percepção nas instituições policiais sobre a saúde mental e prevenção do suicídio. “A saúde psicológica do policial sempre foi um tabu. Quem informava em seu ambiente de trabalho que estava passando por um sofrimento psíquico era visto como um policial fraco e, inclusive, poderia ter sua carreira comprometida”, explicou o delegado, que complementa ilustrando essa nova percepção da instituição: “hoje, o sofrimento psíquico é algo que devemos tratar como objeto de trabalho da própria polícia”.

O Perito Criminal e Chefe Substituto da Divisão de Saúde, Pedro Auler, contou que a atividade policial se apresenta como de maior risco ao adoecimento psíquico de seus profissionais por conta da maior exposição às tensões e violência. O policial federal também disse que aos poucos o tabu de falar sobre a saúde mental do policial está se tornando algo do passado. Segundo ele, “cada vez mais precisamos reconhecer que o problema existe e procurar identificá-lo para intervir precocemente”.

Psicóloga e Chefe do Serviço Biopsicossocial da PF, Wênia de Oliveira Santos explicou que a instituição vem se preparando para dar conta da demanda e favorecer o bem-estar e a saúde mental de seus profissionais. “Temos buscado mais conhecimento para que todos estejam mais seguros de agir nessas situações. A nossa atuação, por mais que façamos o trabalho de prevenção, fica muito voltada em ‘apagar incêndios’. Entendemos que compreendendo o elo final do fenômeno, que é o suicídio, poderemos prevenir”, comentou a policial federal.

O assistente social da Polícia Federal, Wellington Souza de Carvalho, um dos participantes do curso, diz que a PF tem apresentado avanços em relação ao cuidado à saúde mental dos seus profissionais. Para ele, “os gestores têm sido mais sensíveis, não vendo só a polícia pela atividade fim de combate e prevenção ao crime, mas olhando também para dentro do seu patrimônio, que são seus servidores”. Outra participante da capacitação, a psicóloga Luciane Quintas Magioli, avalia de forma muito positiva a formação em parceria com o IPPES. “Percebo que na polícia é um grande passo. Mais um passo dado no sentido de se prevenir e olhar para esse tema que é um muito delicado. A parceria com o IPPES tem sido uma troca muito importante”, comentou a psicóloga.

A presidente e Coordenadora de Ensino e Pesquisa do IPPES, a socióloga Dayse Miranda, avalia com muito entusiasmo a parceria com a Polícia Federal. “Estamos felizes com a conclusão de mais uma formação do curso de acolhimento psicossocial e manejo clínico na segurança pública. Foi uma experiência de muitas trocas e aprendizados para todos nós.” Dayse também comentou a respeito da etapa seguinte: “esperamos que os participantes do curso desenvolvam nos próximos três meses as suas propostas de ação de prevenção e posvenção em situações críticas. A elaboração de um plano de ação de prevenção e do manejo clínico do sofrimento psíquico na Polícia Federal será um marco institucional na segurança pública do nosso país. A saúde mental passará a ser de fato um tema de política institucional. Assim esperamos”, explicou a socióloga.

Para garantir a segurança sanitária da formação, a MedLevensohn, empresa Amiga da Prevenção e distribuidora especializada em produtos para saúde e bem-estar, fez testagem para Covid-19 em todos os participantes e na equipe do IPPES.