IPPES oferece capacitação na Marinha 2

Por Caio Brasil,
Jornalista e pesquisador do IPPES.


Em parceria com o Núcleo de Assistência Social da Esquadra, o IPPES ofereceu o Minicurso de Prevenção ao Suicídio para militares da Marinha do Brasil. Dividida em três encontros, entre abril e maio, a capacitação teve o objetivo de orientar praças e oficiais na identificação dos fatores de risco e estimular o desenvolvimento de estratégias de manejo do comportamento suicida.

Além da participação presencial dos psicólogos do Complexo Naval de Mocanguê, cerca de 40 militares da Esquadra assistiram o mini curso de forma online. No primeiro encontro, no dia 22 de abril, a socióloga e diretora-presidente do IPPES, Dayse Miranda, fez uma apresentação sobre o suicídio e os riscos ocupacionais. Ela explicou as estatísticas de suicídio no Brasil e abordou as especificidades dos fatores de risco para agentes das instituições de segurança. Dayse Miranda coordenou a pesquisa na Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro que culminou na publicação do livro “Por Que Policiais se Matam?”, em 2016.

A socióloga avalia de forma positiva a parceria com a Marinha. “Sabemos praticamente nada a respeito do suicídio desses profissionais porque nunca tivemos contato com uma das forças armadas para fazer prevenção. Esse convite significa a grande oportunidade de fazer a diferença no campo da saúde pública para as forças armadas. Então é uma alegria e parabenizo as lideranças da Marinha, que já estão nos permitindo fazer a segunda versão desse curso em junho”, comenta Dayse Miranda.

No dia 4 de maio, o segundo módulo, denominado “aspectos psicológicos no suicídio”, foi conduzido pelo mestre em saúde pública e pesquisador associado do IPPES, o policial militar e psicólogo Higor Pontes Brito. O professor chamou a atenção para a observação de frases que podem ser percebidas como alertas e os sentimentos apresentados pelas pessoas. Além disso, salientou a necessidade de atenção ao quadro psiquiátrico e cognitivo dos profissionais.

Para o policial militar, “falar sobre prevenção do suicídio é também uma forma de valorizar e defender a vida, ressignificar conceitos e apresentar possibilidades de abordar um assunto que ainda é um tabu para muitas pessoas em nossa sociedade”. Higor também considera de grande importância a formação voltada para os militares. “Fazer esse trabalho na Marinha do Brasil é muito significativo. Por seu papel institucional e pelas diversas ações que desenvolve, pela possibilidade de alcance das propostas e ações de prevenção, haja vista que a instituição conta com milhares de pessoas em diferentes lugares e desempenhando funções diversas”, explica o policial.

Coordenadora de saúde mental do IPPES e psicóloga do Batalhão de Operações Policiais Especiais da PMERJ, a Dra. em psicologia Alexandra Vicente foi a responsável por ministrar o terceiro e último módulo. Especialista em negociação com suicidas, ela abordou as “estratégias de manejo da pessoa em situação de risco para o suicídio”, no dia 13 de maio. O módulo foi dedicado à orientação das atitudes possíveis de serem tomadas quando reconhecidos os sinais de alerta e os fatores de risco para o suicídio.

A psicóloga do BOPE explica sobre a importância de conhecer o fenômeno suicida na própria instituição. “Só assim será possível traçar estratégias efetivas e em consonância com a realidade de cada organização. Alguns aspectos são gerais no estudo da prevenção, contudo, para ser efetivo, é necessário estar atento às especificidades ocupacionais e sociais de cada lugar”, recomenda Alexandra. A psicóloga também expressa seu contentamento com a parceria. “Fico imensamente feliz e orgulhosa em saber que a Marinha do Brasil está disposta a abrir diálogo e desenvolver ações acerca do comportamento suicida na instituição. Com respeito, sensibilidade e muita coragem! Só que ganha são os seus integrantes e o país”, conta a policial militar.