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Iniciativa do IPPES promove ações educativas em 21 instituições durante o Setembro Amarelo, fortalecendo o diálogo sobre saúde mental e valorização da vida.

À medida que o Setembro Amarelo se aproximava, uma inquietação ganhava força dentro do IPPES: como alcançar quem ainda não está familiarizado com o debate e comprometido com ações de prevenção do suicídio?

Afinal, a fita amarela não pode se reduzir a um símbolo estético, esvaziado de sentido político, utilizado apenas como elemento visual em logomarcas institucionais durante o mês. O Setembro Amarelo deve ser um chamado à ação, um momento de firmar compromissos reais com a valorização da vida. Era, portanto, necessário ampliar a rede de instituições e pessoas dispostas a promover iniciativas concretas que fortaleçam o bem-estar e a saúde mental.

Foi a partir dessa inquietação que surgiu o Movimento Pela Vida, uma iniciativa que aproxima a sociedade do conhecimento técnico e científico produzido pelo IPPES ao longo dos últimos cinco anos. Por meio de palestras em instituições públicas e privadas, o projeto busca ampliar espaços de diálogo, sensibilizando e fortalecendo vínculos com pessoas e organizações comprometidas com o cuidado em saúde mental.

Durante o mês de setembro, as instituições inscritas receberam encontros gratuitos. As palestras propuseram reflexões sobre a importância de falar abertamente sobre saúde mental, reconhecer emoções e sentimentos, incluir o autocuidado na rotina diária e conhecer as políticas públicas e os serviços de acolhimento disponíveis. Ao todo, foram realizados 24 encontros em 21 instituições, incluindo escolas, hospitais, associações de moradores, forças de segurança pública, igrejas, terreiros e empresas.

A diversidade de espaços alcançados é central para a missão do IPPES, pois é nos ambientes de convivência e trocas humanas que deve florescer a valorização da vida e a promoção do bem-estar. A prevenção acontece com pessoas e, onde houver pessoas, deve haver ações de cuidado, escuta e promoção da saúde mental.

A presidente do IPPES, Dayse Miranda, destaca que o Movimento está alinhado com o novo enfoque estratégico da Associação Brasileira de Estudos e Prevenção do Suicídio para a campanha:

Entendemos o Setembro Amarelo como uma oportunidade de levar informações de qualidade e promover compromisso social. A prevenção do suicídio não deve se limitar a um único mês. Ela precisa ser contínua, com ações fundamentadas em informações confiáveis, planejamento estratégico e alinhamento com as políticas públicas. Nesse contexto, é essencial que as instituições assumam um papel de protagonismo“, explica Dayse Miranda.

Vozes do Movimento: experiências, reflexões e acolhimento

Com uma equipe formada por 14 profissionais voluntários, o Movimento Pela Vida se fortaleceu por meio da diversidade de olhares e vivências de quem esteve diretamente nos encontros com o público.

A psicóloga Wanda Quadra, coordenadora do projeto EmpresaQrevine, participou das ações promovidas na empresa MedCare e na Organização das Cooperativas Brasileiras, que reuniram mais de 130 pessoas. Para ela, é necessário abrir espaço para o diálogo: “É fundamental falar abertamente sobre saúde mental e romper com os estigmas que ainda existem em torno desse assunto, impedindo que muitas pessoas peçam ou busquem ajuda“, explica Wanda Quadra.

Na Fundação Darcy Vargas, a atividade foi voltada aos responsáveis de crianças e adolescentes da Casa do Pequeno Jornaleiro. A fonoaudióloga Cláudia Mourão, coordenadora de Desenvolvimento Humano e Organizacional (DHO) do IPPES, conduziu a conversa e percebeu um retorno bastante sensível por parte do público. Segundo Claudia, “a palestra foi recebida com interesse e curiosidade pelos pais dos alunos, que tinham por expectativa ampliar o conhecimento de como lidar com o aspecto comportamental do filho ou filha“.

A coordenadora de Segurança Pública e Saúde do Trabalhador do IPPES, a policial civil Meire Cristine, conduziu palestras voltadas a agentes penitenciários e militares do Corpo de Bombeiros. Ela explica como abordou o tema com os participantes: “Usei exemplos práticos do cotidiano e reflexões sobre o autoconhecimento e as habilidades socioemocionais como ferramentas essenciais para lidar com o estresse e os desafios da rotina nas instituições de segurança pública”, relata Meire.

A psicóloga Franciella Melo Lopes também fala sobre o impacto que observou no público. “O momento que mais me marcou foi ao final das palestras, quando os participantes compartilharam seus sentimentos e disseram o quanto aquele encontro havia sido necessário. Muitos relataram que há tempos não paravam para olhar para si mesmos e que a palestra os fez refletir sobre a importância de cuidar da própria saúde mental“, revela a psicóloga.

Gláucia Braga, assistente social do IPPES, avalia positivamente a participação do público durante as ações. “Percebi que os objetivos foram alcançados pela adesão. As pessoas permaneceram até o fim, demonstraram atenção, assentiram com a cabeça quando algo fazia sentido e, ao final, diziam coisas como ‘vou pensar nisso’, ‘vou começar alguma atividade física’, ‘vou me reconectar com a minha fé’. Essa devolutiva é essencial”, explica Gláucia Braga.

De acordo com o policial militar e psicólogo Higor Brito, a adesão do público foi significativa e destaca o desafio de abordar um tema delicado com públicos diversos. “A fala deve ser fundamentada em estudos atualizados, pautada no respeito e no entendimento de que quem nos ouve pode estar passando por situações semelhantes às tratadas. É essencial uma postura de acolhimento, empatia e uma abordagem humanizada, não fria ou meramente informativa“, comenta o psicólogo.

A assistente social Danielle Fonseca ressalta a importância de adequar a fala para os diversos contextos: “É fundamental estar sempre aberto a adaptar a linguagem ao público-alvo, sem perder a essência do conteúdo. Cada espaço exige uma forma de comunicação diferente, que se aproxime da realidade de quem nos escuta.”

A escuta atenta revelou aspectos marcantes da rotina das pessoas atendidas, segundo a psicóloga Rita Silvério: “O mais marcante foram os depoimentos pessoais sobre as dificuldades de autocuidado, especialmente aquelas relacionadas ao tempo e à qualidade do sono.”

Já a psicóloga Daniely Vieira destaca a importância de multiplicar esse tipo de ação no país. “Iniciativas como o Movimento Pela Vida são imprescindíveis e deveriam ocorrer o ano inteiro, especialmente em lugares com menos acesso à informação”, argumenta Daniely Vieira. A também psicóloga Monica Paes reforça a importância de projetos iguais. “Iniciativas como o Movimento Pela Vida são fundamentais porque ampliam o alcance da educação em saúde mental para além dos espaços tradicionais, aproximando instituições de diferentes perfis em torno de um mesmo propósito: a valorização da vida”, comenta a psicóloga.

Participaram do Movimento pela Vida 2025:

  1. Associação de Moradores do Jardim Progresso – AMJP
  2. Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais de Mesquita – APAE Mesquita
  3. Casa de Saúde São João de Deus
  4. Colégio Estadual Padre Anchieta
  5. Comissão Interna de Prevenção de Acidentes da NAV Brasil – CIPA / NAV Brasil
  6. Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro – CBMERJ
  7. Creche Escola Joaninha Tutoia
  8. Departamento Geral de Ações Socioeducativas – DEGASE
  9. Escola Municipal Jornalista Sandro Moreyra
  10. Fundação Darcy Vargas – FDV
  11. Fundação Nacional de Artes – Funarte
  12. Grupo Boa Nova de Estudos Espíritas
  13. Guarda Municipal do Rio de Janeiro – GM-Rio
  14. Medcare Produtos para Saúde
  15. Organização das Cooperativas Brasileiras – OCB
  16. Saúde Criança Repensar – Ilha do Governador.
  17. Secretaria de Estado de Polícia Militar do Rio de Janeiro – Diretoria-Geral de Saúde – SEPM/RJ – DGS
  18. Secretaria de Estado de Administração Penitenciária do Rio de Janeiro – SEAP/RJ
  19. Segunda Igreja Batista do Recreio
  20. Tenda Espírita Caboclo Boiadeiro da Jurema e Filhos da Umbanda
  21. Universidade Federal do Rio de Janeiro, Campus Macaé – UFRJ