Propostas de ações de prevenção marcam a conclusão da capacitação em Suicidologia, Prevenção, Posvenção e Políticas Públicas do IPPES 37

 

Por Caio Brasil e Kathlen Barbosa,
Jornalistas e pesquisadores do IPPES.


Na última terça-feira (08/12), os voluntários da capacitação em Suicidologia, Prevenção, Posvenção e Políticas Públicas do IPPES apresentaram seus projetos inovadores de prevenção do suicídio, marcando a conclusão da formação. Agora os participantes serão monitorados e orientados no desenvolvimento de seus projetos pela equipe do Instituto. Com isso, o IPPES se torna a primeira incubadora de ações de prevenção às violências autoprovocadas do Brasil, com objetivo de criar e disseminar ferramentas e estratégias de prevenção do suicídio no país . As inscrições para a turma 2021 da Capacitação já estão abertas e você pode pode se inscrever até o dia 15 de dezembro. Clique aqui para maiores informações.

Com foco na construção de ações estratégicas e proposição de políticas públicas, a capacitação tem o objetivo de formar novos pesquisadores, colaboradores, multiplicadores e voluntários interessados em atuar na prevenção e posvenção do suicídio. Devido à pandemia da Covid-19, a diretoria do IPPES precisou alterar o formato da formação, anteriormente prevista para ser presencial. A mudança para o espaço online permitiu a continuidade do trabalho, que contou com a colaboração voluntária de especialistas convidados de diferentes áreas de conhecimento,  como suicidologia,  saúde pública,   políticas públicas,  segurança pública,  sociologia da violência, sociologia da educação,  metodologia de pesquisa etc.

Para garantir segurança à saúde de todos, a MedLevenhson, distribuidora especializada em saúde e patrocinadora do IPPES, fez a testagem da covid-19 em todos os participantes do evento. A atividade iniciou com uma breve fala da presidente e diretora de ensino e pesquisa do Instituto, Dayse Miranda, e em seguida foi exibido um vídeo da diretora jurídica do IPPES, Kátia Sodré. Ela é mãe sobrevivente enlutada pelo suicídio e contou um pouco  sobre o Grupo SobreViver, que a partir de 2021 será um espaço de apoio a outros sobreviventes organizado pelo IPPES.

Logo após, os participantes apresentaram seus mais variados e criativos projetos. O psicólogo clínico André Emílio propôs o Projeto de Acolhimento Infantil (PAI), para trabalhar com crianças que têm ausentes a figura paterna em suas vidas. “Resolvi fazer um trabalho focado na paternidade porque eu creio que muitas demandas da infância decorrem da ausência do pai. Essa ideia já existia, mas foi fomentada aqui no IPPES”, comenta o psicólogo. Ele também conta que a capacitação foi o primeiro contato com a temática do suicídio: “eu ainda não havia abordado essa temática. Entrei com muitas expectativas e todas elas foram superadas. É até difícil expressar com palavras porque eu tinha um desejo muito antigo de estar aqui”.

Maria Eduarda Calil, graduanda do curso de Segurança Pública da Universidade Federal Fluminense (UFF), tem a proposta de acolhimento como forma de prevenção ao suicídio de pessoas que perderam familiares e amigos pela violência urbana. “Eu conheci essa problemática através de um curso que fiz na Defensoria Pública. Mas quando participei da primeira aula da capacitação, me acendeu a chama e questionamento sobre esse tema”, explica a participante. Ela avalia de forma muito positiva a capacitação: “foi muito importante porque foi integrada, nos capacitaram a entender várias vertentes sobre a suicidologia e políticas públicas”.

A assistente social da Polícia Federal do Espírito Santo, Gegliola Campos, apresentou a proposta de atuação junto ao programa SegunçaQPrevine, desenvolvido pelo IPPES. “Procurei trazer minha experiência, perceber qual era a possibilidade de um trabalho com o IPPES dentro de uma lacuna que existia”, explica a assistente social. Ela avalia que a mudança do presencial para o online não afetou a qualidade da capacitação: “apesar  de a gente viver num cenário tão adverso como o da pandemia, a estratégia adotada pelo IPPES de transferência de material não ficou comprometida. Apesar de não ser presencial, tivemos momentos muito ricos e de grande aprendizado. Tivemos uma grande oportunidade de aprimorar o conhecimento, de buscar novas referências e de aprofundar sobre a temática”.

O Policial Rodoviário Federal Daniel Evangelista propôs a construção de estatísticas sobre a saúde mental e tentativas de suicídio entre os agentes de sua instituição. “A estatística pode nortear ações e direcionar programas. Mas, nesse momento, ela poderia ajudar na sensibilização dos gestores para a temática. Esse é o ponto principal. Com isso, em vez de ser uma ação apenas individual, pode se transformar em uma estratégia institucional. Pode levar um tempo, mas é o objetivo final”, conta Daniel.