O ensaio busca analisar as implicações do isolamento em razão da pandemia do Covid-19 para o uso intensivo da internet entre crianças e adolescentes. Além das possíveis consequências deste uso para a prática de violências autoinflingidas (ideação suicida, autoagressões, tentativas de suicídio e suicídio). Segundo os autores, é importante chamar atenção para o fato de que os conteúdos (informações, memes, depoimentos) que circulam na internet sobra a situação da pandemia e seus prognósticos, têm um potencial ansiogênico e podem amplificar um “medo global”. De acordo com o relatório do UNICEF de orientação sobre manejo familiar no contexto do Covid-19, a ajuda parental para atribuir significados para a pandemia pode frear a carga de estresse e ansiedade das crianças e adolescentes neste momento. Segundo as agências de proteção à infância, o consumo massivo de informações sobre a pandemia, pode produzir ansiedade, pânico e levar à depressão. Tais fatores podem ser ainda mais intensos quando a criança ou adolescente já apresentam condições de saúde mental prévias. Ademais, os autores destacam que a partir de uma pesquisa realizada no Google Trends, verificou-se que a busca pelo termo “desafios online” (desafios em formato de “game” ou “brincadeira” que envolvem algum tipo de autolesão) cresceu no mundo inteiro após a implementação da medida de isolamento social. Por fim, o ensaio prioriza o diálogo e a escuta sem julgamento culpabilizador entre os pais e seus filhos, como instrumento eficaz de controle e atenção aos riscos da internet.