Em parceria com o PNUD (Programa para o Desenvolvimento das Nações Unidas), a pesquisa tem por objetivo analisar os aspectos da hierarquia e da disciplina na cultura das Polícias Militares e seus desdobramentos na saúde tanto física quanto mental dos profissionais. Na primeira parte do texto, por meio de revisões da literatura tanto nacional quanto internacional, são caracterizados os elementos básicos da cultura organizacional dos militares e seus valores. Em um segundo momento, através de entrevistas e grupos focais, são exploradas as percepções de oficiais e praças sobre a natureza hierárquica da Corporação.Por fim, foi realizado um levantamento nacional com o objetivo de identificar os valores culturais e as práticas organizacionais que definem o modelo disciplinar e hierárquico das Polícias Militares, bem como a apresentação de fatores que podem estar vinculados aos afastamentos dos policiais por motivos de saúde. De forma resumida, os resultados da pesquisa apontam para a relação complexa entre hierarquia e autoritarismo; em algumas situações, esta relação demonstrou estar vinculada a aspectos locais, subculturais de cada Corporação e, em outros casos, parece ser uma característica unívoca e transversal nas Corporações das Policias Militares. Chama atenção¬ a diferenciação na forma como os processos de saúde-adoecimento podem acometer praças e oficiais. Os praças, por exemplo, tendem a ser informados das escalas de serviço com pouca antecedência, diferente do que ocorre os com oficiais, o que produz uma redução na possibilidade de planejamento da vida extra-trabalho, das relações familiares e dos cuidados com a saúde. Por fim, apesar de avaliações negativas, tanto oficiais (84%) quanto praças (58%), declararam como boa/regular sua satisfação com a Corporação Militar. Este dado chama atenção para o fato de que apesar da necessidade de mudanças fundamentais nas políticas e valores organizacionais, existência certo sentimento de “pertencimento” à Corporação.