E quando as mulheres adoecem? Quem cuida delas? Estes são questionamentos que o artigo de Pegoraro e Caldana nos incita a refletir. A partir de uma revisão bibliográfica as autoras analisam a condição da mulher que recebe e provê cuidados em saúde mental. Em um primeiro momento, o artigo explora a relação entre mulher e loucura desde os registros da Idade Antiga até o início do século XX no Brasil. Em seguida, as autoras debatem os dilemas em torno da mulher enquanto principal prestadora de cuidados informais ( no âmbito familiar). Por fim, o artigo sublinha a urgência de discutirmos as necessidades específicas em torno das mulheres que demandam cuidados em saúde mental (sobretudo aquelas que têm filhos menores, também dependentes de cuidados). De acordo com as autoras, as políticas públicas brasileiras em saúde mental não têm acompanhado as mudanças do gênero feminino em relação às conquistas de novos papéis na sociedade. O lugar da mulher na prestação de cuidado informal, extra-hospitalar, já está cristalizado e pouco se debate sobre quem cuida destas mulheres quando elas adoecem e têm sua saúde mental comprometida.