“As “estati?sticas pu?blicas importam a?s poli?ticas e a? mudanc?a social”. Esta e?, em si?ntese, a tese para a qual essa monografia pretende contribuir, analisando um peri?odo histo?rico de significativa mudanc?a do paradigma de intervenc?a?o do Estado brasileiro sobre a realidade social, de expansa?o de escopo e escala de poli?ticas pu?blicas, de fortalecimento da capacidade te?cnica-burocra?tica e poli?tico-relacional de governo, de institucionalizac?a?o de mecanismos de participac?a?o social e de complexificac?a?o do Sistema Estati?stico. Mais precisamente, este trabalho procura mostrar como as estati?sticas colaboraram para as atividades inerentes ao ciclo de formulac?a?o e gesta?o da poli?tica de desenvolvimento social e combate a? fome (PDSCF) e como os programas e ac?o?es desencadeados dessa poli?tica ampliaram e influenciaram o programa de trabalho do IBGE, seja na incorporac?a?o de quesitos em questiona?rios, encarte de suplementos tema?ticos em pesquisas ja? consolidadas, seja na realizac?a?o de novos levantamentos estati?sticos. Com a ampliac?a?o do escopo de estati?sticas disponi?veis por esses instrumentos, te?cnicos, gestores e pesquisadores puderam identificar lacunas de oferta ou avanc?os em intervenc?o?es desencadeadas com informac?a?o parcial ou restrita, permitindo o aprimoramento da pro?pria poli?tica pu?blica. Procura-se mostrar como tre?s levantamentos de larga institucionalidade no IBGE (Censo Demogra?fico, Pesquisa Nacional por Amostra de Domici?lios e Pesquisa de Informac?o?es Ba?sicas Municipais) garantiram a disponibilidade de dados para identificac?a?o microterritorializada da populac?a?o em extrema pobreza, visando a elaborac?a?o de diagno?sticos de capacidade de gesta?o, pessoal e equipamentos para as PDSCF, para monitoramento, ajuste de focalizac?a?o de pu?blicos-alvo e avaliac?a?o da efetividade das ac?o?es de combate a? fome e inseguranc?a alimentar entre 2004 e 2014. Tais informac?o?es tambe?m foram cruciais para fornecer evide?ncias robustas para contrapor-se a narrativas que sistematicamente opunham-se a? ampliac?a?o da agenda de poli?ticas sociais no pai?s. Na introduc?a?o – ampliada- desse trabalho, busca-se explicitar o objeto, a motivac?a?o e, em alguma medida, o enquadramento investigativo dessa monografia na linha de pesquisa de Capacidades Estatais, a sua perspectiva disciplinar no Campo de Pu?blicas e a sua inspirac?a?o neoinstitucionalista de ana?lise de poli?ticas pu?blicas. No primeiro capi?tulo, e? feita uma revisa?o bibliogra?fica acerca das conexo?es entre Estado e estati?stica, evidenciando a relac?a?o histo?rica entre a constituic?a?o do Estado de Bem-Estar e os sistemas estati?sticos nos u?ltimos 200 anos. O capi?tulo seguinte trata da questa?o mais especi?fica desse trabalho, abordando o ci?rculo virtuoso da agenda poli?tica- estati?sticas-poli?ticas pu?blicas, com foco nas PDSCF. Por fim, na conclusa?o, discutem-se os riscos e desafios que o atual momento poli?tico-governamental traz para o Sistema Estati?stico brasileiro.” (Jannuzzi,P.)