IPPES conclui seleção de voluntários para Grupo Viver 1

Matéria de Caio Brasil e Kathlen Barbosa,
Jornalistas e pesquisadores do IPPES.
Arte de Ingrid Bico,
Designer do IPPES.


Mais uma iniciativa do IPPES está sendo desenvolvida nesse contexto de pandemia com o objetivo de promover cuidados com a saúde mental. Dessa vez, dados os altos índices de suicídio e violências autoprovocadas entre crianças e adolescentes no país, estamos realizando a segunda edição do Projeto Escola.

A taxa de morte por suicídio de adolescentes de 15 a 19 anos cresceu 81% no Brasil entre 2010 e 2019, segundo o Boletim Epidemiológico da Secretaria de Vigilância em Saúde, do Ministério da Saúde. Publicada em setembro de 2021 e usando dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), a pesquisa aponta aumento da taxa de 3,5 para 6,4 mortes por suicídio para cada 100 mil adolescentes da faixa etária.

O grupo de crianças e adolescentes entre 5 e 14 anos apresentou crescimento de 113% na taxa de mortes por suicídio, subindo de 0,3 para 0,7 casos a cada 100 mil habitantes da faixa etária. Entre a população geral, a taxa saltou de 5,4 para 6,6 mortes por suicídio a cada 100 mil habitantes.

O estudo também aponta que, entre 2018 e 2019, as notificações de lesões autoprovocadas cresceram 40%. Das 124.709 notificações registradas em 2019, 23,% correspondem a adolescentes de 15 a 19 anos e 10% são de crianças e adolescentes com menos de 14 anos. Além disso, a repetição do evento ocorreu em 41% de todos os casos notificados. Confira a íntegra do Boletim Epidemiológico clicando aqui.

A recente pesquisa atualiza os números sobre o suicídio no Brasil, mas não é novidade que as taxas de suicídio entre crianças e adolescentes há tempos apresentam crescimentos anuais. São meninos e meninas criativos e potentes, que têm séries e músicas preferidas, com linguagem e outras formas expressão próprias, mas que recorrem ao suicídio ou à autolesão como formas de lidar com o sofrimento emocional. O cenário impele um olhar cuidadoso do Estado e de toda a sociedade, exigindo respostas institucionais inteligentes e voltadas à saúde emocional dos jovens brasileiros.

 

Projeto Escola: uma proposta de intervenção

Em um período marcado por desafios materiais e emocionais impostos pela pandemia, cresce a demanda social de ter a escola como local seguro e voltado à prevenção. Essa necessidade levou pesquisadores e profissionais que se dedicam a pensar a saúde emocional e a prevenção do suicídio a criarem o Projeto Escola. Ele nasce a partir da experiência do Programa EscolaQPrevine, aplicado entre 2018 e 2019 na Escola Municipal Roberto Weguelin de Abreu, em Duque de Caxias.

Em junho de 2021, o Projeto Escola foi uma das intervenções selecionadas através da chamada pública para o enfrentamento da Covid-19 em territórios vulneráveis, realizada pela Fiocruz. A Escola Municipal Jayme Fichman, em Saracuruna, Duque de Caxias, receberá a ação. O projeto tem o objetivo de desenvolver habilidades emocionais para a vida de professores, funcionários e alunos, e formar multiplicadores de prevenção de violências autoprovocadas.

Além da comunidade escolar, o Projeto oferecerá ferramentas de educação emocional às lideranças de três comunidades de Saracurura – Vila do Urussaí, Complexo do Cangulo e Ana Clara. O objetivo é de também promover saúde emocional e formar agentes de prevenção às violências autoprovocadas nas localidades.

A iniciativa, que terá duração de 12 meses, surge da parceria do Instituto de Pesquisa, Prevenção e Estudos em Suicídio (IPPES) com a Associação pela Saúde Emocional de Crianças (ASEC), a empresa Comunicação e Expressão Consultoria Especializada, o Laboratório de Análise da Violência da UERJ (LAV-UERJ) e a Secretaria Municipal de Educação de Duque de Caxias.

 

Primeiro encontro

No dia 15 de setembro, o Projeto Escola realizou seu primeiro encontro voltado à sensibilização de estudantes do sexto ao oitavo ano do ensino fundamental da EM Jayme Fichman. O encontro aproximou a equipe multidisciplinar e os adolescentes e ocorreu nos dois turnos, envolvendo um total de 13 turmas. Realizado no pátio e seguindo os protocolos de segurança sanitária para enfrentamento da Covid-19, a atividade iniciou com a apresentação do Projeto aos alunos.

Os adolescentes participaram de rodas de conversa em que puderam discutir temas ligados à saúde mental e compartilhar as suas experiências pessoais. Bullying foi o tópico proposto que surgiu em mais falas e que despertou maior interesse entre eles.

O IPPES e seus parceiros buscam contribuir para a promoção da saúde mental da comunidade escolar e obter frutos como os da edição anterior, realizada em outro formato antes da pandemia, na Escola Municipal Roberto Weguelin de Abreu. Para saber mais sobre a primeira edição do Projeto, acesse o Dossiê que preparamos clicando aqui.